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Um par de tênis e um haltere sobre um piso de madeira

Ansiedade: o que a respiração e o exercício fazem por ela

Resposta curtaExercício físico regular diminuiu a ansiedade em vários estudos, inclusive em gente com transtorno de ansiedade diagnosticado. Exercícios de respiração também diminuíram a ansiedade, com efeito pequeno. Num estudo, cinco minutos de respiração já baixaram a ansiedade do momento.
Força da evidênciaModerada para o exercício, de fraca a moderada para a respiração, quatro estudos entre 1 e 3 barraso que isso quer dizer

O que é ansiedade

Ansiedade alta não é a mesma coisa que transtorno de ansiedade, e os pesquisadores separam os dois casos. Num, a ansiedade está alta quando se mede num questionário, mas não há diagnóstico [1]. No outro, ela vem com preocupação e medo demais, é persistente e atrapalha o trabalho, as relações e o dia a dia. Esse segundo caso é o que se chama de transtorno de ansiedade [1].

O que o exercício fez

Uma revisão publicada em 2026 juntou 30 estudos em que as pessoas eram sorteadas para os grupos. Ao todo, foram 1.421 adultos com ansiedade [1].

Em média, os programas tinham sessões de uns 40 minutos, três vezes por semana, durante oito semanas [1].

Entre quem tinha transtorno de ansiedade, quase todo tipo de exercício diminuiu a ansiedade, em comparação com quem ficou na lista de espera sem fazer nada. Musculação, ioga e tai chi, e exercício aeróbico como caminhada e corrida tiveram efeito médio [1]. Alongamento sozinho não mostrou efeito claro [1].

A musculação teve o maior número, mas apoiado em só dois estudos [1]. Nos estudos de musculação, quase todas as participantes eram mulheres, e a carga usada era moderada [1].

Entre quem tinha ansiedade alta sem diagnóstico, só ioga e tai chi mostraram efeito claro, e mesmo esse resultado é pouco firme [1].

Os autores concluem que musculação e exercícios como ioga e tai chi podem ajudar no transtorno de ansiedade, com uma certeza que eles chamam de moderada [1].

O que a respiração fez

Uma revisão de 2023 juntou 20 estudos sorteados que mediram ansiedade depois de exercícios de respiração. A ansiedade diminuiu, com efeito pequeno [2].

A medida principal dessa revisão era o estresse. Nele, o efeito apareceu em quem não tinha doença e em quem fazia respiração lenta [2]. Para quem tem um problema de saúde mental, os próprios autores acham cedo para recomendar [2].

Um estudo menor testou uma respiração específica, o suspiro cíclico [3]. Funciona assim:

  1. Puxe o ar devagar, de preferência pelo nariz.
  2. Com o pulmão cheio, puxe mais um pouco, mesmo que seja pouco.
  3. Solte todo o ar devagar, de preferência pela boca.
  4. Repita por cinco minutos.

Os pesquisadores sortearam 108 adultos para fazer cinco minutos por dia, durante um mês, de uma de três respirações ou de meditação [3].

Logo depois de cada prática, a ansiedade do momento caiu em todos os grupos [3]. No suspiro cíclico, ela caiu cerca de 4 pontos, numa escala que vai de 20 a 80 [3]. Na ansiedade, quem respirava e quem meditava não se diferenciaram [3]. O que o suspiro cíclico fez a mais foi melhorar o humor, e essa melhora cresceu com os dias de prática [3].

A ansiedade de fundo, aquela que a pessoa sente como parte do jeito de ser, não mudou em nenhum grupo depois do mês [3].

O que não funcionou pela internet

Uma técnica estudada é marcar meia hora do dia para se preocupar e adiar a preocupação até lá [4].

Pesquisadores de uma universidade holandesa testaram isso pela internet com quase mil inscritos, sorteados em dois grupos. Os dois anotavam as preocupações por seis dias, e um deles também adiava tudo para meia hora no começo da noite [4].

Mais da metade não chegou ao fim [4]. Entre os que terminaram, adiar não diminuiu a preocupação em comparação com só anotar, e os participantes contaram que tinham dificuldade de adiar [4].

Os autores lembram que estudos anteriores, feitos com papel e caneta, tinham dado resultado melhor. O que não funcionou foi a versão aplicada direto pela internet [4].

Cada caso é um casoEsses números falam de grupos de pessoas, e a ansiedade de cada um tem a sua própria história. Se ela já está atrapalhando a sua vida, uma conversa com um psicólogo ajuda a entender de onde ela vem e o que faz sentido tentar primeiro. Se você toma remédio para ansiedade, qualquer mudança passa por quem cuida de você.

Fontes

  1. Lei EF, Wan KW, Dai Z, Tam BT. Effectiveness and acceptability of exercise treatments for adults with anxiety disorders: a systematic review and network meta-analysis. BMJ Open Sport & Exercise Medicine, 2026. artigo
  2. Fincham GW, Strauss C, Montero-Marin J, Cavanagh K. Effect of breathwork on stress and mental health: a meta-analysis of randomised-controlled trials. Scientific Reports, 2023. artigo
  3. Balban MY, Neri E, Kogon MM e colegas. Brief structured respiration practices enhance mood and reduce physiological arousal. Cell Reports Medicine, 2023. artigo
  4. Versluis A, Verkuil B, Brosschot JF. Reducing worry and subjective health complaints: a randomized trial of an internet-delivered worry postponement intervention. British Journal of Health Psychology, 2016. artigo

Foto da capa: Bermix Studio, Unsplash.

Davi KirchnerGraduado em Psicologia · Revisado em 15/10/2026

Se a ansiedade já está mexendo com o seu trabalho, o sono ou as relações, a página Ansiedade explica como eu trabalho com ela.

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